Marcelo Almeida: O artista que dá vida ao Serelepe

O teatro Serelepe é um dos poucos grupos do gênero no Brasil a oferecer ao público, momentos de muita descontração e riso farto. Mesmo com peças de drama, dentre os mais de 50 espetáculos do grupo, são as voltadas ao riso, que arrastam multidões nos estados do sul.

Serelepe é o principal personagem do artista Marcelo Almeida, 47 anos. O fronteiriço de Santana do Livramento encarna o palhaço há 25 anos, herança do pai, José Maria de Almeida, falecido em 2016.

Se é um desafio fazer o público rir, a adrenalina também é alta ao chegar em uma nova cidade, já que o teatro Serelepe é itinerante. “Mas, não tem outro jeito né? Somente arriscando para ver se vamos nos dar bem”, destaca o artista.

Se o trabalho é itinerante, pode-se dizer que a casa de Marcelo Almeida, e das outras onze pessoas que vivem com ele, entre familiares e artistas, é a sua estrutura de quatro carretas, um ônibus, um trailer e quatro veículos de passeio.

Vida sem endereço

A vida sem endereço, mas com muito conforto nas carretas que servem como moradia, são uma das paixões do artista. “Sempre vivi essa vida. O meu endereço é a minha carreta e não troco isso por nada. Não tenho vontade de ter uma casa fixa.

Perda do pai

Porém, o sorriso do artista perde força quando ele fala de um familiar com o qual não convive mais. Seu pai, que interpretava o personagem antes dele, faleceu no dia 5 de fevereiro de 2016, vítima de um enfisema pulmonar, quando o circo estava em Tapera. “Foi horrível. Meu pai era tudo, não fazia nada sem ele. Ele era uma garantia para mim em tudo e eu perdi isso. Todos os dias quando eu acordava ia na carreta dele pedir sua benção, algo que hoje eu não faço mais. É complicado”, lamenta Almeida.

Personalidade de Marcelo

“Muitas vezes as pessoas me convidam para eu ir na casa delas, achando que vou passar o tempo todo falando coisas engraçadas. E aí elas se enganam”, diverte-se Marcelo. Outro paradoxo na vida do palhaço, que complementa: “Fora do palco sou ‘quietão’, a minha esposa até diz que sou antipático. No palco eu me transformo. Não sei o que acontece. Eu posso estar com raiva ou triste por algo, esqueço-me de tudo no palco. Eu não sei, eu acho que o palco tem uma magia”, explica.

Por falar no personagem, ele afirma ter a expectativa de representá-lo até os 60 anos. “Depois, se meu filho quiser seguir, terá o meu apoio. Mas, primeiro quero que ele siga estudando e se forme em uma faculdade”, finaliza Serelepe.

Todo esse encanto poderá ser conferido a partir desta noite na Praça General de Osório quando dê inicio a temporada de apresentações em Quaraí.

Foto: divulgação

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